A audiência pública “6×1 Não: Uma Nova Jornada pela Vida e Trabalho” foi realizada na manhã desta segunda-feira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), por iniciativa do mandato do deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT).
O encontro contou com a presença do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e integrou a mobilização nacional que pressiona o Congresso pela votação do fim da escala 6×1, considerada prejudicial à saúde e à qualidade de vida dos trabalhadores.
A atividade reuniu representantes de entidades sindicais, movimentos sociais e trabalhadores em defesa de uma jornada que priorize dignidade, tempo de vida e melhores condições de trabalho. Dirigentes de toda a base da FETEC-CUT/SP também participaram do encontro.
Ana Lúcia Ramos Pinto, secretária-geral da FETEC, reforçou que o debate precisa avançar. “Essa luta não é apenas contra a escala 6×1, mas pela redução da jornada de trabalho”, afirmou.
Ela destacou que um estudo do CESIT, Centro de Estudo Sindicais e de Economia do Trabalho, indica que o fim da escala 6×1, aliado à redução da jornada, pode gerar até 4,5 milhões de novos postos de trabalho e movimentar R$ 290 bilhões na economia, ao contrário do que se argumenta. (Confira o estudo aqui).
Mobilização e disputa política
O ministro Luiz Marinho destacou que a mudança depende de pressão social e enfrentamento político.
“O debate sobre a jornada nos obriga a olhar para vários aspectos do trabalho, mas o essencial é reduzir a jornada e superar a escala 6×1. A proposta do governo é chegar a 36 horas semanais até 2030, mas isso não vai acontecer sem mobilização. É fundamental disputar a opinião da sociedade, os espaços e os rumos do país. O que está em jogo é o projeto de Brasil que queremos.”
O ministro também chamou atenção para a demanda da população por mais qualidade de vida. “O povo quer tempo para viver, para a família, para estudar. Já existem experiências de jornadas diferentes e isso mostra que é possível avançar.”
Ele ressaltou ainda importância de eleger, nas esferas federal e estadual, representantes comprometidos com a defesa dos direitos dos trabalhadores.
A força das ruas
Luiz Marinho defende que a escala 6×1 contribui para o aumento da fadiga, dos acidentes e do adoecimento. ‘’Trabalhadores exaustos faltam mais, o que afeta a produtividade e eleva a rotatividade, gerando custos também para as empresas’’.
Para o ministro, a redução da jornada sem corte de salários só avançará com mobilização popular, a exemplo do que ocorreu na aprovação da isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil.
“O que garantiu a aprovação unânime foi o calor das ruas, o bafo no cangote deles. É isso que precisa se repetir agora, para avançarmos na redução da jornada e no fim da escala 6×1.”
Mulheres são as mais impactadas
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, destacou que esse impacto atinge de forma mais dura as mulheres. “Discutir jornada de trabalho é discutir desigualdade de gênero. As mulheres são maioria nos afastamentos por adoecimento, o que mostra que a forma como o trabalho está organizado hoje adoece. Isso é uma questão de saúde pública.”
“Hoje, 80% dos trabalhadores formais do Brasil trabalham mais de 40 horas semanais. E justamente os setores com jornadas mais longas são aqueles com menor renda e escolaridade. Isso revela algo muito cruel. A jornada também é um fator de desigualdade social.
Neiva defende a mudança como um avanço civilizatório. “O Brasil precisa dar um novo passo, com uma jornada mais justa, saudável e humana.”
Pressão pela aprovação da PEC
Para o deputado Luiz Claudio Marcolino, a audiência cumpre o papel de ampliar o debate e fortalecer a mobilização pela Proposta de Emenda à Constituição 8/2025.
“Nosso objetivo foi trazer esse debate para mais perto da classe trabalhadora, esclarecer dúvidas e construir propostas. A aprovação da PEC é fundamental para enfrentar a sobrecarga e a desigualdade”, disse
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