Bancários protestam contra Pedro Guimarães e por justiça às vítimas de assédio na Caixa

05 Jul 2022 36 VISUALIZAÇÕES

São Paulo – Trabalhadores bancários organizaram atos púbicos em agências da Caixa Econômica Federal na cidade de São Paulo, nesta terça-feira (5), Dia Nacional de Luta contra os Assédios Moral e Sexual. Organizados pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e outras entidades sindicais, os protestos ocuparam as frentes de duas agências e dois prédios administrativos do banco nas zonas Oeste, Norte e Sul da cidade, além de uma agência do Bradesco no Centro.
O ato foi convocado ainda nesta segunda (4) pelo Comando Nacional dos Bancários com objetivo de intensificar as denúncias de assédio sexual desencadeadas por empregadas da Caixa contra a conduta de seu ex-presidente, Pedro Guimarães. Há exatamente uma semana, reportagem do portal Metrópoles divulgou relato de ao menos cinco vítimas que denunciaram toques em partes íntimas sem consentimento, por parte de Guimarães, além de falas, abordagens e convites inconvenientes e desrespeitosos. Os casos de assédio teriam ocorrido em situações em que funcionárias viajavam com o ex-presidente da Caixa por determinação dele.
Com faixas, as manifestações também exigiram que as investigações iniciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e do Trabalho (MPT) sejam aprofundadas.
Cobrança e apuração
“Nós cobramos que ele (Pedro Guimarães) pague por isso e que os órgãos competentes, inclusive, façam as apurações e as punições devidas. Acabou de entrar a nova presidente Daniella (Marques) que tem falado como se ela fosse apurar. Mas não é papel do presidente da Caixa apurar (as denúncias). Ela entrou e vai presidir o banco . Quem tem que apurar é a ouvidoria da Caixa, Ministério Público e TCU (Tribunal de Contas da União). Eles são (os órgãos) competentes para isso e têm que fazer com rigor. Essa é a nossa cobrança”, frisou a dirigente do sindicato Tamara Siqueira, empregada da Caixa, durante o protesto na agência Iguatemi.
“Nós vamos ficar em cima para que isso seja feito e não caía no esquecimento. E para dar suporte para todas as pessoas que denunciaram e as que ainda não denunciaram. Porque temos certeza que tem muita gente que não denunciou, inclusive não só o Pedro Guimarães, mas pessoas de sua equipe e de outros cargos na empresa”, acrescentou a servidora.
O Dia Nacional de Luta contra os Assédios Moral e Sexual também antecipa as reivindicações que devem ser levadas pelos bancários para a mesa de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), nesta quarta (6). De acordo com a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, a entidade quer cobrar que medidas mais efetivas sejam adotadas diante das acusações de que servidoras foram perseguidas e até removidas de suas funções por denunciar o ex-presidente. Além de que as acusações contra Guimarães estariam sendo acobertadas desde 2019 e foram ignoradas pelos sistemas de ouvidoria da Caixa.
Atos em todo o Brasil
“Estamos no Brasil inteiro fazendo essas atividades, em Brasília, na região Norte, Nordeste e Sul do país, cobrando uma apuração séria. E que tenha um processo de formação para que as pessoas saibam o que é o assédio sexual e não o pratiquem porque serão punidas seriamente, seja o presidente do banco ou qualquer outra pessoa”, comentou Juvandia no ato.
Pela manhã também houve protestos nas agências da Caixa em Belo Horizonte e Campo Grande. Além dos locais públicos, os bancários também ocuparam as redes sociais, emplacando a hastag #BastaDeAssédio. Desde às 11h30, o termo está entre os mais 15 assuntos mais comentados no Twitter. Na manifestação, os bancários denunciaram ainda que o caso de Pedro Guimarães não é um ato de assédio isolado e tem acontecido com frequência. Uma pesquisa encomendada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), no final de 2021, mostrou que seis em cada 10 funcionários do banco sofreram assédio moral no ano passado. E quase 70% já testemunharam esse tipo de violência no trabalho.
“Queremos que tenha um processo de apuração e também de acolhimento e proteção às trabalhadoras que fizeram a denúncia. Vamos cobrar isso na mesa (de negociação) e seriedade com o tema porque isso tem acontecido bastante. Até porque temos um presidente da República (Jair Bolsonaro) que diz que mulher tem que ganhar menos memos e que tem uma filha mulher porque fraquejou. Então essa pessoa incentiva esse tipo de prática. (…) Mas estamos aqui hoje dizendo que isso não pode e basta de assédio”, ressaltou a presidenta da Contraf-CUT.

Fonte: REDE BRASIL ATUAL