Banco do Brasil

União contra o desmonte do Banco do Brasil

30 Nov 2016 18 VISUALIZAÇÕES

Na base do Sindicato de Bragança, diretores visitaram agências do banco, distribuiram material material específico sobre o PEAI e esclareceram dúvidas sobre o processo de reestruturação.

Os bancários do Banco do Brasil ficaram de braços cruzados nesta terça-feira 29 em Dia Nacional de Luta. Em São Paulo, pararam mais de 3 mil funcionários, abrangendo a diretoria de tecnologia, o crédito imobiliário, a gestão de pessoas. Grande parte desses bancários participaram de plenária, às 11h, em frente ao Complexo São João (que também parou), no centro, e votaram a interrupção das atividades durante todo o dia. Houve paralisações também em cidades de Minas Gerais, do Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e em Curitiba. Na base do Sindicato de Bragança, diretores visitaram agências do banco, distribuiram material material específico sobre o PEAI e esclareceram dúvidas sobre o processo de reestruturação.

Na quinta-feira 1º, a Comissão de Empresa dos Funcionários volta a se reunir com a direção do Banco do Brasil.

A quem interessa o desmonte do Banco do Brasil? Essa é a pergunta que fica diante do anúncio feito pelo presidente da instituição, Paulo Cafarelli, no domingo 20, do fechamento de 402 agências, transformação de outras 379 em postos de atendimento e a extinção de 18 mil cargos por meio de um plano de incentivo à aposentadoria.

A certeza é o quanto bancários e clientes serão prejudicados pela medida, que terá impacto não só na qualidade do atendimento ao público, mas no acesso ao crédito no país. Entre 2008 e 2016 os bancos públicos ampliaram de 38% para 57% a concessão de crédito. Durante o auge de crise financeira internacional, foram as políticas anticíclicas promovidas por intermédio das instituições financeiras públicas que permitiram ao Brasil manter o crescimento.

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O exemplo de um bancário que há oito meses foi transferido pelo banco de Belo Horizonte para São Paulo ilustra a falta de respeito do BB com a vida de seus funcionários. A jornada começou em função de uma reestruturação do setor de licitação em BH. “Mudei meus filhos de escola, entrei no financiamento de uma casa própria em São Paulo e agora terei de mudar de novo”, relata o bancário que acaba de ser transferido para Curitiba, com essas últimas mudanças impostas.

“Por isso estamos nas ruas protestando, trabalhadores e Sindicato juntos”, afirma o dirigente da entidade, João Fukunaga, funcionário do BB. “Somente nossa união e mobilização pode garantir nossos direitos e o futuro da empresa”, reforça João, que também é integrante da Comissão de Empresa dos Funcionários, responsável por negociar com a direção do banco.

Resistência – Um dia depois do anúncio de Cafarelli, o Sindicato cobrou uma reunião com a direção do Banco do Brasil, que foi realizada na terça 22. Na quarta 23, os representantes dos trabalhadores fizeram um ato na Superintendência do banco, na Avenida Paulista, e, durante a noite, participaram do seminário Se é Público, é para Todos. No debate, além de reforçar com especialistas a necessidade do fortalecimento das empresas públicas no país, foi deliberada a realização de outra manifestação específica sobre o BB.

O protesto, nacional, pegou carona na black friday para denunciar a ‘liquidação de desrespeito’ contra os funcionários. Empregados do BB vestiram preto como forma de protesto e em algumas concentrações, como no Cenop Imobiliário, cruzaram os braços durante a hora de almoço em frente ao prédio.