Debate de conjuntura nacional e internacional abre o segundo dia da 19ª Conferência Nacional dos Bancários

31 Jul 2017 14 VISUALIZAÇÕES


Foto: Caetano Ribas/ Contraf-CUT

A 19ª Conferência Nacional dos Bancários recomeçou, na manhã deste sábado (29), com uma análise de conjuntura nacional e internacional. Rafael Freire Neto, secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), fez uma análise da conjuntura internacional, com foco na América Latina.

Ele lembrou que, em 2008, a disputa da saída da crise do capitalismo estava em aberto. A discussão era qual tipo de sistema econômico a gente teria no planeta após o fracasso do Neoliberalismo. “E qual a resposta que temos hoje? Mais neoliberalismo. Infelizmente nós não conseguimos criar uma grande força progressista que controlasse o mundo. E agora, estamos à beira da terceira grande onda neoliberal.

Para ele, há explicação para que a resposta ao fracasso do neoliberalismo seja mais liberalismo é o deslocamento do poder para grandes grupos econômicos. “Atualmente, oito pessoas detém a riqueza de mais de 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo. 10 grandes grupos empresariais juntos igualam o Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 180 países. No Brasil, seis pessoas detêm uma riqueza equivalente a renda de 10 bilhões de brasileiros. E são essas pessoas que escolhem  um sistema financeiro nora qual eles ganhem cada vez mais e a população perca. No Brasil, foram essas pessoas que financiaram o golpe contra a democracia. E qual o problema do golpe no Brasil? Pode representar um retrocesso de um século nos direitos trabalhistas.”

De acordo com Freire Neto, está na hora de percebermos que “se o problema é global, a resposta tem de ser global. No nosso caso, tem de ser regional, para toda a América Latina. Por isso, espero que os bancários estejam juntos, como sempre estiveram, de toda a classe trabalhadora na luta pela defesa dos nossos direitos”, finalizou.

Vagner Freitas, presidente da CUT Nacional, trouxe o debate para o âmbito nacional. “Todo o processo de luta das centrais sindicais e dos partidos de esquerda do Brasil nas últimas décadas tem trazido um nível de maturidade política e consciência social que assusta a direita. O que levou os partidos a buscarem outros métodos que não sejam a democracia legítima para buscar o comando da sociedade. Eles sabem que não têm condições de nos combater no debate e no diálogo com a sociedade.”

Para o presidente da CUT, o motivo principal da crise mundial, dos investimentos feitos para tomar o poder e, conseqüentemente, os direitos dos trabalhadores é o fracasso do capitalismo tão exaltados pela direta, que sempre priorizou o rentismo e quis o fim do Estado. “Precisamos de uma proposta com amplo envolvimento nacional e que inclua os interesses da população para derrotar essa política excludente do governo golpista.”

De acordo com Vagner Freitas, “temos um campo fértil para continuar na luta de classes, na organização dos trabalhadores, para eleger governos democráticos e que discuta as propostas que estamos debatendo aqui, com ganhos para os trabalhadores. Saio daqui hoje com otimismo, pois vejo que temos capacidade de enfrentar o governo golpista e a capacidade de criar projetos que inclua toda a população brasileira.”

Para Augusto Vasconcelos, presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia e representante da CTB, a mesa de debate sobre a conjuntura nacional e internacional leva em consideração a realidade e aponta caminhos para o futuro.  “Temos de reafirmar que vivemos a maior crise do capitalismo desde 1929. Está cada vez mais claro que a organização da sociedade aprofunda a desigualdade e nos leva a depressão econômica”, afirmou. 

Para mudar os rumos do país, a criação de uma frente ampla de luta é a única saída, acredita Augusto. “Precisamos fazer uma luta pra valer, para transformar o Brasil. Precisamos trazer setores do golpe para o nosso lado. Isso significa ter uma política ampla para derrotar o Rodrigo Maia e Temer. Precisamos aproveitar as contradições do seio da burguesia para atrair pessoas para o nosso lado. Temos de trazer parcelas do setor industrial. Precisamos nos unir para construir uma política soberana, inclusão social e preservação dos direitos.”

Edson Carneiro, o Índio, coordenador da Intersindical, afirmou que – para os golpistas – a saída para o desemprego crescente, a queda da taxa de investimento, os dois anos de recessão e a economia estagnada são sempre a retirada de direitos da classe trabalhadora e a priorização dos rentismo. “A maioria dos países que enfrenta uma crise semelhante adotou medidas restritivas e o Brasil optou por medidas legalizantes. Estamos completamente abertos aos interesses do rentismo. E as classes mais baixas da sociedade são quem pagam as contas.”

Para ele, a classe trabalhadora tem um papel fundamental. “Nós precisamos da construção de uma correlação de força favoráveis aos trabalhadores que eleve o grau de consciência da população e de pressão aos políticos para que consigamos revolver os problemas. Precisamos de um programa de enfrentamento ao rentismo, enfrentamento ao monopólio das comunicações e a revogação das reformas, além de impedir que a reforma da Previdência seja votada.”