Deflação brasileira se concentra nos preços da gasolina e deve durar apenas até a eleição

11 Oct 2022 48 VISUALIZAÇÕES

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou a terceira deflação seguida em setembro (-0,29%), na menor variação para o mês na série histórica, segundo o IBGE. De acordo com os dados divulgados na manhã desta terça-feira (11), agora o indicador oficial de inflação no país soma 4,09% no ano e 7,17% em 12 meses. A deflação deste mês foi menos intensa, indicando possível alta já no mês que vem. O que coincidiria com o fim da súbita “política de preços da Petrobras” e com o término do processo eleitoral. No último sábado (8), a refinaria de Mataripe (BA), privatizada, aumentou preços de gasolina e diesel.

O resultado de setembro praticamente se concentra nos combustíveis, que tiveram queda média de 8,50%. Apenas a gasolina (-8,33%) teve impacto negativo de 0,42 ponto percentual na inflação do mês – ou seja, mais do que o índice total. Além disso, caíram os preços do etanol (-12,43%), óleo diesel (-4,57%, mas com alta de 45,19% em 12 meses) e gás veicular (-0,23%). Ainda no grupo Transportes (-1,98% no mês), o IBGE apurou reduções de 0,08% em motocicletas, 0,15% em automóveis novos e 0,38% nos usados.

Aplicativos mais caros

Ainda nesse grupo, o item ônibus urbano teve queda de -0,34%, com redução de passagens aos domingos em Salvador. Já as passagens aéreas aumentaram 8,22%, com impacto de 0,05 ponto no índice geral, e atingem 47,69% em 12 meses. O transporte por aplicativo também teve alta em setembro, de 6,14%, em média.

No grupo de maior peso, Alimentação e Bebidas, o instituto registrou queda de 0,51%, após alta de 0,24% no mês anterior. A alimentação no domicílio caiu 0,86%, com diminuição os preços de itens como leite longa vida (-13,71%, -0,15 ponto). Mesmo assim, o produto ainda acumula alta de 36,93% em 12 meses. O IBGE destaca ainda redução nos preços do óleo de soja (-6,27%). Por outro lado, o preço médio da cebola subiu 11,22% (0,02 ponto no geral).

A alimentação fora do domicílio, por sua vez, aumentou menos: 0,47%. O preço médio da refeição subiu 0,34% e o do lanche, 0,74%.

Internet cai, roupa sobe

No grupo Comunicação (-2,08%), o IBGE cita os itens acesso à internet (-10,55%) e telefonia, internet e TV por assinatura (-2,70%). Somados, representaram -0,09 ponto de deflação na taxa mensal. Artigos de Residência também teve variação negativa (-0,13%), com impacto da queda dos preços de televisores (-2,66%), entre outros.

A maior variação do mês passado foi do grupo Vestuário: 1,77%. Segundo o instituto, subiram os preços de roupas femininas (2,03%, 0,03 ponto), roupas masculinas (1,82%) e infantis (1,92%), além de calçados e acessórios (1,70%). Já no grupo Despesas Pessoais (0,95%), as altas atingiram serviços bancários (1,56%), hospedagem (2,88%) e pacote turístico (2,30%). Esses dois últimos itens concentram altas de 24,07% e 19,78%, respectivamente, em 12 meses. Em Habitação (0,60%), subiu o custo com energia elétrica residencial (0,78%), as taxas de água e esgoto (0,27%) e o gás encanado (0,11%). O gás de botijão soma 15,02% em 12 meses.

Plano de saúde tem alta

Os planos de saúde voltaram a aumentar, com a mesma intensidade de agosto (1,13%). Assim, o grupo Saúde e Cuidados Pessoais variou 0,57% no mês.

Entre as áreas pesquisadas, a região metropolitana de Vitória foi a única a registrar alta, de 0,17%. O menor índice foi apurado na região metropolitana de Fortaleza (-0,65%). Em 12 meses, o IPCA varia de 4,85% (Grande Porto Alegre) a 8,87% (Salvador). Atinge 8,42% no Rio de Janeiro e 7,91% na Grande São Paulo.

INPC também tem queda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também registrou deflação em setembro (-0,32%). Agora, soma 4,32% no ano e 7,19% em 12 meses.

Produtos alimentícios passaram de 0,26% para -0,51%. Já os não alimentícios caíram menos – de -0,50%, em agosto, para -0,26%.

Fonte: REDE BRASIL ATUAL