Grandes bancos concentram 71,85% do mercado de fundos administrados

22 May 2015 15 VISUALIZAÇÕES

Os quatro grandes bancos brasileiros de capital aberto – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e BTG Pactual – concentram 71,85% de todo o volume administrado em fundos de investimentos no Brasil.No primeiro trimestre de 2015, essas quatro instituições arrecadaram juntas R$ 2,484 bilhões em receitas com a administração e a gestão do patrimônio de R$ 2 trilhões em recursos de terceiros.

“Devido à forte estrutura, os grandes bancos concentram a maior parte dos investidores e dos recursos e conseguem cobrar taxas de administração mais altas em fundos DI e de renda fixa”, diz o diretor da Queluz Investimentos, Luiz Monteiro.

De acordo com os dados dos respectivos balanços publicados relativos ao primeiro trimestre de 2015, a evolução do patrimônio líquido dos clientes nos últimos 12 meses até março último favoreceu o aumento das receitas com taxas de administração mesmo num período de baixa captação líquida (entrada de novos recursos).

No líder Banco do Brasil, o patrimônio líquido administrado cresceu 15% para o montante de R$ 594,84 bilhões, enquanto as receitas avançaram 15,2% e atingiram R$ 1,081 bilhão no trimestre.

Na sequência, o Bradesco apresentou evolução de 12,1% no patrimônio administrado para R$ 492,4 bilhões, enquanto as receitas avançaram 11,2% e alcançaram R$ 625 milhões nos primeiros três meses do ano.

Na terceira posição em arrecadação com tarifas sobre os fundos, o Itaú teve um crescimento de 10,9% em patrimônio líquido para o montante de R$ 695 bilhões, mas as receitas recolhidas dos clientes ficaram praticamente estáveis em relação a igual período do ano passado, em R$ 508 milhões no primeiro trimestre de 2015.

Ainda entre as grandes instituições financeiras brasileiras de capital aberto, o BTG Pactual exibiu um aumento de 14,2% no patrimônio administrado para R$ 215,4 bilhões, mas as receitas da área de asset management recuaram 22,8% para R$ 270 milhões.

Nesse último exemplo, o BTG Pactual já havia explicado em teleconferência com analistas que nesse primeiro trimestre houve uma menor cobrança de tarifas sobre a performance (rentabilidade) dos fundos, predominando as receitas com taxas de administração que consideram o volume presente nas carteiras.

“As receitas ficaram abaixo em relação ao mesmo trimestre do ano passado. A redução das receitas reflete o menor reconhecimento de taxas de performance. As taxas de administração continuaram a crescer”, disse o diretor financeiro do BTG Pactual, Marcelo Kalim, em teleconferência.

Diferentemente dos grandes bancos de varejo que são mais concentrados em renda fixa de perfil mais conservador, o BTG Pactual (de perfil de banco de investimentos) trabalha com fundos mais arriscados de renda variável, onde se pode cobrar taxas de performance (sobre a rentabilidade) na entrega de resultados aos clientes.

Segundo Luiz Monteiro, diretor da Queluz Investimentos, devido aos juros altos no Brasil, os grandes bancos de varejo conseguem entre retorno aos clientes em fundos mais conservadores. “O investidor está correndo para o DI”, diz.

Ao se considerar o período de 12 meses até março (relativo aos balanços publicados dos bancos), as carteiras de DI haviam apresentado uma valorização média de 11,4%, e as de renda fixa, de 12%. Em outras palavras, a evolução do patrimônio líquido dos fundos nos 3 principais bancos de varejo de capital aberto – Banco do Brasil, Bradesco e Itaú – está mais relacionada a preferência do investidor brasileiro por aplicações conservadoras.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) relativos ao fechamento de março mostravam que o Banco do Brasil possuía R$ 540 bilhões em ativos de renda fixa (91% de seu total administrado. Na sequência, o Itaú registrava R$ 411,8 bilhões em ativos de renda fixa somados com mais R$ 62,9 bilhões da Intrag nesses papéis, ou seja 68,3% do total administrado.
Já o Bradesco registrava R$ 327,5 bilhões em ativos de renda fixa, mais o volume de R$ 125,3 bilhões na gestora Bem, que somados representam R$ 452,8 bilhões, ou 92% do total de recursos administrados.

Esse perfil conservador explica o avanço do patrimônio líquido em 12 meses até março, e retorno melhor em receitas do Banco do Brasil e do Bradesco. Essas duas instituições preferiram aplicar mais de 90% dos recursos de seus clientes em papéis de renda fixa como: títulos públicos federais, operações compromissadas lastreadas em títulos públicos, certificados de depósitobancário (CDBs), letras financeiras, e em menor grau em títulos privados de renda fixa como debêntures.